Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

Da casa dos gatos

Todos os dias
acordar com miados
com afagos
insistentes
demorados

Abrir os olhos
do teu lado e
espriguiçar
na cama repleta
de pêlos e amor

Somos nós
gato e gente
juntos no afeto
na companhia
harmonia resplandescente

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Meu pai sempre comigo - no coração, na alma, na felicidade.

"Com o meu pai de novo no hospital. Peço a quem tiver alguma fé que reze por ele. E aqueles que não crêem que torçam pelo melhor. Ele está no hospital Mãe de Deus, fez uma intervenção pra colocar um marcapasso e agora irá fazer um cateterismo. Ele tem cinco safenas que foram feitas em 2003 e já fez cateterismo outras vezes. Mas a cada novo procedimento, a cada novo dia, pra ele e pra todos nós, é como se fosse o primeiro. Desabafo virtual, já que ligar pros queridos demandaria mais tempo. Estou indo para o hospital em seguida. bjos a todos." (03-12-2011 - manhã)

 "Acabei de voltar do hospital. Meu pai fez o cateterismo na tarde de hoje e os médicos informaram que correu tudo bem. Estamos aguardando que o quadro estabilize pra ele poder fazer a cirurgia do marcapasso definitivo. Hoje de tarde ele conversou comigo e brincou com os enfermeiros. Parece que é o coração que está preguiçoso, batendo com pouca força e lentamente. Devido a isso todo o resto do corpo começou a funcionar devagar... rim, cérebro, pele. Mas o médico que conversou comigo, hoje à noite, disse que de um dia pro outro ele teve uma boa melhora. Agradeço as mensagens dos amigos. Agradeço a força de vocês, a nossa e a dele. Agradeço sempre o meu pai sempre comigo, pois muito do que sou é ele. beijos e obrigada pelo carinho" (03-12-2011 - noite)

 "Hoje pela manhã quando fui ver meu pai, ele estava acordado. Fiquei feliz porque poderia conversar com ele! Contei como foi o grenal e combinei de ir com ele ver um jogo na libertadores do ano que vem. Ele sorriu. Depois de um tempo conversando, ele começou a confundir tempo e espaço. Pensava que estava no sítio, onde morávamos quando eu era pequena. Queria saber quantas pessoas viriam pra Porto Alegre, pois a gente ía "ir" pra Porto Alegre. Lembrei do tempo em que ele era o motorista da família e me levava pra todos os cantos - das aulas no colégio aos aniversários das amigas. Lembrei dos dias em que de manhã cedo ele dava carona pros filhos dos caseiros e enchia o carro de meninos com cheiro de terra. Boas lembranças, muito boas lembranças sempre com o meu velho e querido pai! Bibo pai e Bobby filha." (05-12-2011 - tarde)

Quinta-feira, Novembro 03, 2011

Mad World.

Tiranias.

Abraçar um coletivo de eu's.
Missão impossível.
Eu's não se tornam um coletivo, apenas um agrupamento momentâneo por vontades convergentes.

Muita gente confunde as coisas.
Trabalhar coletivamente não é simplesmente fazermos todos juntos alguma coisa.
É preciso que essa coisa seja resultado de um arranjo entre as vontades, de uma flexibilização entre tudo o que é possível.
Não apenas a força de um amior número.

A democracia não garante uma experiência coletiva de fato.
Apenas a tirania de muitos.

Domingo, Outubro 09, 2011

A flor da lama.


Buda e a Flor de Lótus 


Buda reuniu seus discípulos, e mostrou uma flor de lótus - símbolo da pureza, porque cresce imaculada em águas pantanosas.
- Quero que me digam algo sobre isto que tenho nas mãos - perguntou Buda.
O primeiro fez um verdadeiro tratado sobre a importância das flores.
O segundo compôs uma linda poesia sobre suas pétalas.
O terceiro inventou uma parábola usando a flor como exemplo.
Chegou a vez de Mahakashyao. Este aproximou-se de Buda, cheirou a flor, e acariciou seu rosto com uma das pétalas.
- É uma flor de lótus - disse Mahakashyao. Simples e bela.
- Você foi o único que viu o que eu tinha nas mãos - disse Buda.

De ir embora.

Sair de casa é difícil pra quem sai e pra quem fica.

A dor do outro não é menor que a minha só porque não a sinto.
Nem preciso fazer o outro sangrar pra ter certeza de que sabe que sofro.

Sair de casa é ato de coragem.
Se desacomodar para tentar sair do lugar e conhecer o que é inexplorado do lado de dentro de paredes pintadas.

Sair do quarto cor-de-rosa. Do céu sempre azul.

É preciso provar da chuva pra saber seu sabor.

Como dizer que vivo se não comprovo a naturalidade dos meus atos?
Mantendo-me em ambiente salvo e controlado jamais saberei.

É preciso sair de casa. Mesmo com a dor.
E isso não é cruel. 

Sair pela porta afora é um movimento de sabedoria.
De carinho por si e pelos outros - de respeito pela vida incessante que pulsa em cada ser.

Como me julgar mal por executar algo tão nobre?
Porque me crucificar como um Cristo?
Como um Judas?
Como um Escariotes?

Sempre fui o mais sincera e leal aos meus.
Não abandonei ninguém.
Apenas gostaria que se pudesse seguir.

Se alguém se recusa a ir adiante, não posso evitar que eu o faça.

Nascer nos coloca em compromisso com o mundo, não apenas com o ventre.

Sou minha e do universo, sem ser de mais ninguém.
Escolho minhas companhias por liberdade.
Não por dependência.

Devo andar. 
E não me espere pro jantar.


Segunda-feira, Agosto 08, 2011