quinta-feira, outubro 17, 2019

abismos repaginados

Quando me atirei ao abismo,
eu já o sabia.

Sabia do risco
De não ter volta

Me lancei com medo e não alcei vôo.

Esbarrei nas pedras.
Me cortei nos arbustos do penhasco.

Quando me atirei ao abismo,
eu já o sabia.

Mas quis o perigo mesmo assim.
Me sabendo tola,
me arrisquei mesmo assim.

Uma vontade absurda de perdição,
De sentir a transitoriedade da vida,
De ser kamikase.

Um desprezo pelo ordinário,
uma arrogância pelo sensato.

Pacato, cordato,
que chato.

Quando me atirei ao abismo,
eu já o sabia.

Havia certeza do erro,
Do engano,
Mas da arte do imprevisto.

Otimista e inconsequente
me joguei mesmo assim.

Fantasiando um percurso inesperado,
previamente sabido fracassado.

Queria ser capaz de alterar leis físicas.
Prepotência andante.

Mas era abismo.
E eu já o sabia sem volta.


quarta-feira, outubro 17, 2018

Desfiar e voar

Houve uma vez um encontro.
Com muitas vozes e rostos.

Um encontro de fios de seda, tramando um tecido leve e resistente, colorido.

Houve uma vez um bordado.
A desenhar no tecido percursos diversos de amor e atenção.

Um desenho de imagem forte para durar.

Houve uma vez uma força que parecia infinita.
Tanto quanto o desejo de estar junto e crescer e mudar o mundo.

Capaz de fazer da dor a semente para algo bonito.

Houve uma vez uma boniteza.
Daquelas que se quer pra vida toda.

Mas que por um passo em falso, um detalhe, um pequeno rasgo, desfiou a trama.
Desfez a forma. Soltou ao vento seda e cor a voar.

Houve uma vez uma nova possibilidade.
Um possível sempre com jeito de saudade.

terça-feira, junho 05, 2018

In-vernas

Quero mergulhar na água e viver com os peixes.
Não quero sair do útero da terra.

Quero menos civilização.
Mais cheiro de terra e capim.

Quero a pureza dos urros dos animais.
Como se a palavra não tivesse sido inventada.

Porque a palavra, o concreto, o árido me matam aos poucos.

E eu sou viva demais pra andar por entre humanos.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Matrimônio

Detesto as palavras.
Elas são curtas, pequenas, sem sentido diante de tudo o que elas precisam dizer e não conseguem.

Entorto as palavras.
Misturo as palavras.
Costuro cada uma na tentativa infinita de fazer com que sejam mais.

Gosto das palavras, até.
Mas daquelas que se desprendem do dicionário.
Que se desligam da comunicação imediata.

Gosto das palavras que fazem curvas.

Gosto quando elas topam formar corpo maleável.

Palavras que deixam de ser palavras pra virar composição.
Palavras que aceitam o fato de não terem sentido-destino e que se desfazem do que dizem sobre elas.

Poesia do desenho com letras.
Dessas eu gosto, por essas eu me apaixono.
Com essas eu quero viver a vida inteira.

terça-feira, dezembro 19, 2017

Pra longe de você

Por vezes chega a hora de partir.
Chega a hora de seguir outro caminho e deixar os amores e rumores pra trás.
Ter outro rumo na prosa e rumar na poesia das almas leves e sem medo.

Porque nessa hora a gente também dá adeus ao que é pequeno, ao que se esgota na capa macia e tem recheio de fel.

É ir pra longe, porque a vida é sempre maior.

VIVER A VIDA DOS FORTES.

Em tempo de separar o joio do trigo e ir além da fronteira do pouco.

Partir enquanto o peito ainda é repleto de amor.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Cartas de vida

As cartas me dizem coisas não ditas pelas bocas humanas que se calam.

As cartas me escrevem em sussurros que se escondem de quem quer distorcer sua voz.

As cartas me ensinam, me orientam, me oferecem abrigo.

As cartas que não são escritas, mas se fazem na leitura do peito apertado e do coração agitado.
De emoção e razão, as cartas me falam com a minha própria voz.

As cartas me trazem à tona, à margem, ao lado, e me dão perspectiva no redemoinho.

As cartas me acompanham em companhia silenciosa.
Elas seguem comigo, mesmo que eu não siga com elas.
Elas são fiéis. Mesmo que nem sempre eu o seja.
Elas me lembram de mim, resgatam a mim e me oferecem a mim novamente e sempre.

Morrer-se

Num dia de medo em que a morte de novo espreita, me vejo em companhia de fantasmas.
Todos os que tiveram pêlo e tiveram zelo, comigo permanecem em seus afetos, sons e perfumes.

Percebo no movimento das idas que se repetem, uma construção do novo nos escombros.
Um fazer-se de luto e nojo, mais forte que a ingenuidade da pureza perdida.

É ter uma veste de animal e com as vidas que se vão tornar-se um pouco fera.

Apavorar-se com a potência da veste e da máscara.
Inusitada ao hábito do humano.

Admirada. Admirável.


quarta-feira, novembro 22, 2017

Salva-vidas

Buscar a mim.
Quando morro a cada dia.

Resgatar a mim.
Quando me coloco em perigo.

Assustar a mim.
Quando assumo o risco.


Lonely mornings

Lonely mornings

Nas manhãs solitárias me predisponho a pensar no que o tempo não permite.
No que o tempo quer esquecer.
No que o tempo não quer sentir em sua apressada existência.

Nas manhãs solitárias de sol, me deixo invadir pela nostalgia dos raios luminosos,
lembrando de momentos brandos em que o calor era afago, sem arder como chama.
Sem me queimar como carne exposta.

Nas manhãs com nuvens brancas e céu azul,
sozinha,
tento lembrar que não devo esquecer.

Nas manhãs me faço companhia.
Me escuto, pois mais ninguém o pode fazer.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Formatura Psicologia UFRGS - 2014/2

Retomando este espaço de escrita, compartilho que hoje fui homenageada.

Mas, mais do que homenageada, eu me senti contemplada, acompanhada.

Foi na formatura dos estudantes da psicologia da UFRGS (onde trabalho atualmente).
Fui servidora homenageada.
E me lembrei de quando escolhi uma representante do corpo técnico da universidade para homenagear na minha graduação.

Lembrei que minhas colegas e eu pensamos que a pessoa agraciada com a homenagem deveria ser alguém que efetivamente fez diferença na nossa formação. Teria que ser uma pessoa que nos deu apoio para realizar as nossas atividades acadêmicas, que auxiliou com a estrutura para que o saber compartilhado pelos docentes pudesse efetivamente fazer parte de nossa prática.
Escolhemos a funcionária responsável pelo guarda-roupa do Departamento de Arte Dramática.
Pensamos na ajuda para escolher os figurinos, no cuidado com a manutenção das roupas e acessórios, na delicadeza com que nos tratava... no carinho com pessoas e objetos.

E penso, então, no que faço: cumprir minhas atividades de organizar a burocracia da universidade e amenizar o impacto da máquina ao humano.
Pra mim é simplesmente o que me cabe como servidora. Aquela que está ali para servir, não de modo servil, mas de maneira dedicada e acolhedora. Como a senhora do guarda-roupa, que hoje não recordo o nome - mas lembro do rosto, do olhar e das conversas.

Trabalho com atendimento ao público, porque gosto de gente.
Me formei em artes cênicas porque acreditava na possibilidade da arte como comunicação privilegiada.
Comunicação entre pessoas. Olho no olho de gente pra gente. Gente que se dispõe ao outro e não se fixa em uma única possibilidade de existência.

Não segui pelo teatro, mas segui com as gentes...com a vida que não se esgota nos planos traçados. Segui me oferecendo a oportunidade:
- de viver o que me é oferecido e ser grata.
E a psicologia me abraça na humanidade a que se propõe.

Me senti muito parte da formatura de hoje, talvez mais do que na formatura da minha própria graduação.
Pois falou-se em liberdade, em respeito, em autonomia.
Valorizou-se a utopia, o sonho de um mundo melhor.

Se desejou felicidade ao outro e não a si próprio.

E é isso.
Felicidade.
Felicidade.
Felicidade.
Felicidade.

Como disse o Joseph Campbell: “Descobri que basta dar um passo na direção dos deuses que eles darão dez passos em sua direção.”

domingo, janeiro 05, 2014

Junho/2010

A cadela moribunda anda pelo jardim.
Arrasta o ventre em meio à grama, formigueiros e jasmins.
....

Estou com o Lehmann. (escritos de algum lugar do passado)

Na metade de agosto foi uma época especial em Porto Alegre.
Nesses dias, houveram três encontros com um dos maiores teóricos do teatro na atualidade: Hans Thies-Lehmann.

De fato ele não disse nada de muito novo, para quem já leu seus livros, mas vê-lo falar e se posicionar foi uma experiência extremamente gratificante!

Homem simples, de estatura mediana e sorriso sempre agradável, o Prof. Lehmann é de um encanto inusitado para acadêmicos. Falando sobre teorias complexas de maneira simples e eficiente, ele nos faz lembrar que nem toda a teoria é sisuda e que às vezes é a gente que complica demais as coisas.

Em sua palestra inicial, Lehmann ofereceu um resumo atrativo para tudo o que desenvolve em seus livros (quem leu, quer ler de novo; e quem não leu percebe que, definitivamente, precisa começar a ler!). Apontamentos sobre o estatuto autônomo da arte teatral em relação ao drama, da existência de sujeitos conectados em redes e sem individualidades afirmadas, das distinções entre arte e entretenimento, ou mesmo da redescoberta do teatro como espaço de coexistência para todas as formas de arte, foram enriquecedores para a plateia porto-alegrense.

Na roda de debates, que ocorreu durante a noite da quinta-feira, foi gritante a dificuldade de alguns profisionais da área em dialogar com o Prof. Lehmann. Enquanto poucos se preocuparam em discutir arte, outros tantos pensavam em questões de mercado que, talvez, interessassem muito mais aos sociólogos - como foi muito bem colocado pelo Prof. duarante a palestra da manhã - quando disse que aos teóricos da arte não interessariam tanto as correntes mais numerosas do fazer artítico, mas sim as inovadoras proposições de linguagem dentro dos trabalhos apresentados.

Na sexta-feira, sua palestra se realizou após o relato de sua esposa, a crítica e teórica teatral grega Eleni Varopoulos - que apresentou a descrição de várias encenações contemporâneas de tragédias e comédias clássicas.
Lehmann, enfatizou a questão política do teatro contemporâneo em manifestação muito distinta da que se verificava nas peças, geralmente panfletárias, do século passado. Ele discorreu sobre a postura política da aparente não politização no pós-dramático, ou o que se poderia dizer uma politização mais sutil e deslocada em termos de posições binárias. É uma visão de política que é exercida como parte de uma existência, sem ser pensada como propaganda ideológica, mas apenas como implicação das discussões éticas, e por que não estéticas, que permeiam nossa sociedade.

Mas o ponto que perpassou todas as conversas com o Prof. Lehmann, e que deve ser lembrada sempre, é a ênfase na criação e no trabalho do artista como experiências únicas, reveladas ao público sem a preocupação com a razão - com o fazer sentido ou ser compreensível. A experimentação da linguagem, que poderia definir em certa medida o artístico contemporâneo, jamais deveria se colocar a mercê do desejo do público ou das necessidades de mercado. E, em certa medida, senti até mesmo uma espécie de solicitação aos que ainda acreditam nessa condição de artista: permaneçam fiéis fundamentalmente a si mesmos, pois sua arte é intransferível a si.

Depois disso me parece desnecessário dizr qualquer outra coisa.

Aquífera.

Pois que hoje o dia é de brisa,
vou me fazer plástica, elástica.
Líquida.

Me fazer, refazer, desfazer.
De fluxo e correnteza me deixar ir.

Me resmungar
em lamúrias tolas.
Me acalmar
das torrentes bobas.

Catar os cacos e secar o sangue.
Buscar a ardência do ácido que corre nas veias.
Me desaguar.

Descalçar e molhar a alma.
Apertar e amamentar a lama.
Jorrar.
Brotar.

Do sal de mim
salinar.
E me deixar marina.

Aguar o seco de soco.
Desrepresar.

terça-feira, dezembro 31, 2013

Feliz ano novo!

Um ano entre um post e outro.
Um ano em que me dediquei exaustivamente a estudar, trabalhar e organizar a vida prática.
Um ano em que a poesia esteve em segundo plano - ficando atrás do pão e da sede de segurança.

Me guardei para o estar mais forte, mais serena e mais pronta para agir sem me perder.
Sinto que me preenchi de músculos. Me carreguei de carne. Me tornei mais corpo.

Estive ausente do mundo por boa parte dos dias. Envolta em atividades intelectuais na maior parte do ano. Atividades abstratas do que mais abstrato pode ser, pois não eram fim e sim desejo em estado puro.
Entrei em uma dimensão tão volátil do ser que, agora quando retorno, me sinto muito mais concreta.
Concreta de vida, pois não me petrifiquei.
Sem me esvair em nuvem, me fiz gente.
Humana - de fraquezas aceitas e acalentadas.
Humana - de coração mais amplo e atento.

Ganhei foco durante o ano que passou.
Num aproveitamento mecânico de habilidades orgânicas mais adestradas.
Fui desafiada a continuar criança - encantada pelo mundo e pelo que há de inusitado e inesperado na vida.
E agora consigo ver minhas mãos e pés prontos para agarrar e correr. Pernas a saltar.
Voz a ser ouvida e ouvidos de pronto a escutar.

Agradeço a quem me viu passar.
Agredeço a quem se dispôs a me abraçar.
Aos amigos que mesmo quietos sei que estão ao meu lado, agradeço.

Agradeço e muito agradeço a todo aquele que conversou com um qualquer
e não apenas aos que conversaram com amigos.
Pois é qualquer que somos e de qualquer que crescemos.
Qualquer que nos é diferente e qualquer que nos faz semelhança.

Enfim...
A aquele que se abriu ao outro e que deixou-se ser afetado, agradeço.

E agradeço profundamente ao universo que sempre nos ampara.


Certeza é a palavra que define o sentimento pro futuro.
Pois a cada dia percebo que nada mais é que o presente bem vivido.


segunda-feira, dezembro 17, 2012

domingo, dezembro 16, 2012

Um abraço.

Um abraço pra você. Um abraço precedido de um bom sorriso e de um olhar terno. Sim, um abraço aberto e macio pra você - com braços em movimentos delicados e desapressados. Um grande abraço pra você. Um abraço em você.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Do amor.

Amo nossa simplicidade.
Nossa descomplicação com o que há de mais complexo.
Amo todos os dias e em todos os subsequentes,
porque estamos juntos.
Amo nossa falta de competição e nossa torcida um pelo outro.
Amo amar o amor que és.
Amo-te.
Amo teu abraço macio e sereno.
E te receber no meu colo aberto e acolhedor.
Nossa troca de afeto eterna e cúmplice.
Amo.



sábado, outubro 13, 2012

Sobre o Tatu, a Copa e os Defesnores da Alegria.

Acho que é fundamental a gente se manifestar contra o ato violento que aconteceu no largo. Na minha opinião estamos lidando com um problema imenso e sem fronteiras. O que aconteceu aqui, acontece em muitos outros lugares. Envolvendo pessoas diferentes e circunstâncias geográficas diferentes, mas no fundo diz respeito sempre à mesma coisa: dificuldade em lidar com a raiva e falta de experiência de 
amor na vida das pessoas.

Acho que as pessoas precisam brigar menos e se abraçar mais. O brigadiano que age com estupidez, provavelmente, nunca teve uma experiência de amor e compaixão na vida. E o manifestante que em meio a uma manifestação pacífica atira pedras não consegue lidar de forma positiva com a própria raiva e canalizar para uma atitude mais eficaz.

No entanto, nesse todo, o mais urgente é cobrar das instituições uma posição ativa de controle e fiscalização das atitudes da Brigada. Porque no campo individual a ação é impossível. A corporação, como entidade pública de defesa, está agindo em nome de uma coletividade e deveria ter tomado ações dentro do que lhe cabe: proteger o cidadão e jamais atacá-lo e humilhá-lo.

Que essa experência sirva para que a ação violenta não seja mais creditada como vitoriosa. Qualquer lado que atue de forma violenta está atuando contra toda a humanidade, contra nossa possibilidade de crescimento social. Somos parte de uma totalidade que não diferencia farda, roupa civil ou ausência de vestes. Somos o mundo - e este está em colapso dentro de uma história repleta de guerras que causam dor e têm resultados questionáveis.

Que nossas vozes possam ser brandas quando nossos corações forem violados pela raiva. Que nossos braços sejam fortes para se manterem firmes e ofertarem abraços aos espíritos carentes de afeto. Que nossas palavras encontrem ecos e se repliquem em nome da compreensão e da convivência paícifica entre os distintos.





Sul 21 » Tarso emite nota sobre a a atuação da Brigada nos conflitos de quinta-feira
Sul 21 » Após incidentes em Porto Alegre, pelotões especiais da BM passarão por reciclagem

Da vida que se tem.

A cada dia um passo.
A cada dia mais infinito.
Cores que invadem a casa.
Sol que ilumina o sono dos gatos.

Felicidade de vida pulsante.
De existência que se atinge plena.

Conforto com o que há.
Afagos.

Estar diante do outro. Ver-se.
A cada dia maior.
A cada dia mais forte.
E mais junto.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Para o amor que faz forte.


Amo-te.
Com o ar dos suspiros noturnos.
Com a saliva que molha a minha boca.
Amo-te a cada dia e a cada por vir e a cada por veio.
Com o que foi.
Com o que será.
O que é.

quarta-feira, agosto 08, 2012

Pensamento sobre ser feliz.

Pensando sobre ser feliz ou sobre como ser feliz é algo tão precário, tão sutil e tão não transmissível, me veio esta frase.

"Onde mora a felicidade... senão nos inter-meios dos corações."

Que sejam felizes todos os que escolheram caminhos diferentes do meu.
Assim como eu consigo ser feliz, me sinto feliz, desejo a todos a sua própria felicidade!

sábado, junho 30, 2012

O Meio


(Luiz Tatit)

Assim era no princípio
Metáfora pura
Suspensa no ar
Assim era no princípio
Só bocas abertas
Inda balbuciantes
Querendo cantar

Por isso que sempre no início
A gente não sabe como começar
Começa porque sem começo
Sem esse pedaço não dá pra avançar
Mas fica aquele sentimento
Voltando no tempo faria outro som
Porque depois de um certo ponto
Tirando o começo até que foi bom

Por isso é melhor ter paciência
Pois todo começo começa e vai embora
O problema é saber se já foi
Ou se ainda é começo
Porque tem começo que às vezes demora
Que passa um bom tempo
Inda está no começo
Que passa mais tempo
Inda não está na hora
Tem gente que nunca sai do começo
Mas tem esperança de sair agora

Se todo começo é assim
O melhor começo é o seu fim
Um dia ainda há de chegar
Em que todos irão conquistar
Um meio pra não começar

Agora depois do começo
Já estou me sentindo
Bem mais à vontade
Talvez já esteja no meio
Ou começo do meio
Porque bem no meio
Seria a metade

É bom demais estar no meio
O meio é seguro pra gente cantar
Primeiro, acaba o bloqueio
E a te o que era feio começa a soar
Depois todo aquele receio
Partindo do meio, podia evitar
Até para as crianças nascerem
Nascendo no meio, não iam chorar

Diria, sem muito rodeio
No princípio era o meio
E o meio era bom
Depois é que veio o verbo
Um pouco mais lerdo
Que tornou tudo bem mais difícil
Criou o real, criou o fictício
Criou o natural, criou o artifício
Criou o final, criou o início
O início que agora deu nisso

Mas tudo tomou seu lugar
Depois do começo passar
E cada qual com seu canto
Por certo ainda vai encontrar
Um meio para nos alegrar

segunda-feira, junho 25, 2012

Farpas

Todos os dias uma migalha feita de farpas.
Todos os dias farpas de aço cravadas nas unhas.
Unhas roídas de tempo perdido.
Tempo mordido.
Deglutido feito fumaça que engasga.

sábado, junho 23, 2012

Sem título

Quando haverá tempo para se escrever poesia?

Quando a linha entortar
e surgir uma bolha de ar
na lista de compras para o jantar.

Uruguai, como te amo!

Fabulosa participação do presidente do Uruguai na Rio+20.
Como disseram os velhos pensadores, citados nas palavras do Presidente Mujica:
"Pobre não é o que tem pouco, pois é verdadeiramente pobre o que necessita infinitamente muito e deseja e deseja e deseja mais e mais."


sábado, maio 05, 2012

A cada dia que passo.

Des-espero agudo irrompido no peito.
Des-amparo descasado estancado em sangue.
Des-caber em si.
Des-montar pedaços.

A cada dia que passa um a menos na garganta.
Uma voz mais fraca. Uma dor mais de graça.

Perguntas sem respostas.
Telefonemas sem interlocutor.
Um barulho mudo no outro lado.
Mendigando atenção.

A cada dia que passa mais vazio nesse cordão.
Um zunido no ouvido. Uma atrofia de tino.

O gato feroz.

O gato entrou pela janela.
Não gostava de caminhos óbvios.
Gostava de criar aventuras no seu território de sempre.
Então, a cada dia entrava por um lugar diferente.

O gato era preto e também branco.
Uma cor clara e outra escura, o que combinava muito com ele.

Era um gato feroz.
Mas doce como pão de mel.
Tinha o corpo forte.
Garras gentilmente afiadas no sofá.

Gostava de assustar os outros gatos.
Comprava briga pelo pote de ração ou pelo lugar no mirante da janela.
Quando estava triste miava alto em cima da máquina de lavar.
Parecia lobo uivando pra lua.

Lobos parecem mais cães,
mas talvez o gato também parecesse um...
Cãozinho cuidando da casa.
Gato de guarda.
Cuidando de tudo aquilo que parece importante.
Gato que não parece gato, mas que ronrona alto quando ganha colo.


terça-feira, maio 01, 2012

A manhãzinha da gata.

A gata magrela espreita da estante, que fica em cima da cama.
No início da manhã, naquele início bem do início quando o sol ainda nem nasceu,
ela analisa o território humano, observa o sono tranquilo.
Sorrateiramente e devagar, ela aproxima o corpo esguio.
Cheira os cabelos e aproxima os bigodes da pele que arrepia.
A gata mordisca...
mas humanos não gostam de levantar tão cedo.

Ela volta para a estante.
Recria a estratégia, pois somente humanos que estão acordados colocam comida nova no pote!
Faz círculos com o rabo, como dando corda a algum pensamento impressionante.

Pensa no infalível e age de forma rápida:
Com a pata leve, sutilmente, derruba os pequenos objeto da estante sobre a cama!

Paff na cabeça dos humanos sonolentos!

- Acordem, levantem e encham os potes de ração e água.
  Depois, se quiserem, voltem a dormir. -
Ordena a gata.

Um dos humanos abre os olhos.
Mecanicamente levanta, caminha, pega a ração, serve, abre a torneira, enche o pote, volta pelo mesmo caminho, mesmo assim tropeça, chega na cama, volta a dormir.

Agora sim, casa em ordem.
Como uma dama, a gata magrela segue altiva até o pote cheio de ração - fresquinha, crocante.
Um pouco de astúcia lhe cabe muito bem.

domingo, abril 22, 2012

Casa[rio]


Ter casa
casar
criar família
de alegria

I[r]mã poesia.

Encontrar a solidão no outro
como em mim.
Numa palavra exata e imperfeita
perceber fagulhas de inexatidão.
Acompanhar um estar pleno
em um mundo de pequenos pedaços 
desencontrados.

Ouvir quase nada
que vem da boca de quem sequer
consegue existir.
Acompanhar pensamentos
de energia pulsante, vibrante
Ver o não visto e o escondido
em quem precisa existir.

Esquecer rostos falsificados.
Lembrar os desmistificados.

A cada palavra e abraço trocados
uma torrente de afetos.
Afetados corpos e espaço,
tempo e sentidos.
Palavras que olham e tocam,
mas seguem mudas e fantasmagóricas
para os pretensos e fingidos.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Da casa dos gatos

Todos os dias
acordar com miados
com afagos
insistentes
demorados

Abrir os olhos
do teu lado e
espriguiçar
na cama repleta
de pêlos e amor

Somos nós
gato e gente
juntos no afeto
na companhia
harmonia resplandescente

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Meu pai sempre comigo - no coração, na alma, na felicidade.

"Com o meu pai de novo no hospital. Peço a quem tiver alguma fé que reze por ele. E aqueles que não crêem que torçam pelo melhor. Ele está no hospital Mãe de Deus, fez uma intervenção pra colocar um marcapasso e agora irá fazer um cateterismo. Ele tem cinco safenas que foram feitas em 2003 e já fez cateterismo outras vezes. Mas a cada novo procedimento, a cada novo dia, pra ele e pra todos nós, é como se fosse o primeiro. Desabafo virtual, já que ligar pros queridos demandaria mais tempo. Estou indo para o hospital em seguida. bjos a todos." (03-12-2011 - manhã)

 "Acabei de voltar do hospital. Meu pai fez o cateterismo na tarde de hoje e os médicos informaram que correu tudo bem. Estamos aguardando que o quadro estabilize pra ele poder fazer a cirurgia do marcapasso definitivo. Hoje de tarde ele conversou comigo e brincou com os enfermeiros. Parece que é o coração que está preguiçoso, batendo com pouca força e lentamente. Devido a isso todo o resto do corpo começou a funcionar devagar... rim, cérebro, pele. Mas o médico que conversou comigo, hoje à noite, disse que de um dia pro outro ele teve uma boa melhora. Agradeço as mensagens dos amigos. Agradeço a força de vocês, a nossa e a dele. Agradeço sempre o meu pai sempre comigo, pois muito do que sou é ele. beijos e obrigada pelo carinho" (03-12-2011 - noite)

 "Hoje pela manhã quando fui ver meu pai, ele estava acordado. Fiquei feliz porque poderia conversar com ele! Contei como foi o grenal e combinei de ir com ele ver um jogo na libertadores do ano que vem. Ele sorriu. Depois de um tempo conversando, ele começou a confundir tempo e espaço. Pensava que estava no sítio, onde morávamos quando eu era pequena. Queria saber quantas pessoas viriam pra Porto Alegre, pois a gente ía "ir" pra Porto Alegre. Lembrei do tempo em que ele era o motorista da família e me levava pra todos os cantos - das aulas no colégio aos aniversários das amigas. Lembrei dos dias em que de manhã cedo ele dava carona pros filhos dos caseiros e enchia o carro de meninos com cheiro de terra. Boas lembranças, muito boas lembranças sempre com o meu velho e querido pai! Bibo pai e Bobby filha." (05-12-2011 - tarde)

quinta-feira, novembro 03, 2011

Mad World.

Tiranias.

Abraçar um coletivo de eu's.
Missão impossível.
Eu's não se tornam um coletivo, apenas um agrupamento momentâneo por vontades convergentes.

Muita gente confunde as coisas.
Trabalhar coletivamente não é simplesmente fazermos todos juntos alguma coisa.
É preciso que essa coisa seja resultado de um arranjo entre as vontades, de uma flexibilização entre tudo o que é possível.
Não apenas a força de um amior número.

A democracia não garante uma experiência coletiva de fato.
Apenas a tirania de muitos.

domingo, outubro 09, 2011

A flor da lama.


Buda e a Flor de Lótus 


Buda reuniu seus discípulos, e mostrou uma flor de lótus - símbolo da pureza, porque cresce imaculada em águas pantanosas.
- Quero que me digam algo sobre isto que tenho nas mãos - perguntou Buda.
O primeiro fez um verdadeiro tratado sobre a importância das flores.
O segundo compôs uma linda poesia sobre suas pétalas.
O terceiro inventou uma parábola usando a flor como exemplo.
Chegou a vez de Mahakashyao. Este aproximou-se de Buda, cheirou a flor, e acariciou seu rosto com uma das pétalas.
- É uma flor de lótus - disse Mahakashyao. Simples e bela.
- Você foi o único que viu o que eu tinha nas mãos - disse Buda.

De ir embora.

Sair de casa é difícil pra quem sai e pra quem fica.

A dor do outro não é menor que a minha só porque não a sinto.
Nem preciso fazer o outro sangrar pra ter certeza de que sabe que sofro.

Sair de casa é ato de coragem.
Se desacomodar para tentar sair do lugar e conhecer o que é inexplorado do lado de dentro de paredes pintadas.

Sair do quarto cor-de-rosa. Do céu sempre azul.

É preciso provar da chuva pra saber seu sabor.

Como dizer que vivo se não comprovo a naturalidade dos meus atos?
Mantendo-me em ambiente salvo e controlado jamais saberei.

É preciso sair de casa. Mesmo com a dor.
E isso não é cruel. 

Sair pela porta afora é um movimento de sabedoria.
De carinho por si e pelos outros - de respeito pela vida incessante que pulsa em cada ser.

Como me julgar mal por executar algo tão nobre?
Porque me crucificar como um Cristo?
Como um Judas?
Como um Escariotes?

Sempre fui o mais sincera e leal aos meus.
Não abandonei ninguém.
Apenas gostaria que se pudesse seguir.

Se alguém se recusa a ir adiante, não posso evitar que eu o faça.

Nascer nos coloca em compromisso com o mundo, não apenas com o ventre.

Sou minha e do universo, sem ser de mais ninguém.
Escolho minhas companhias por liberdade.
Não por dependência.

Devo andar. 
E não me espere pro jantar.


domingo, agosto 07, 2011

Tempero da vida

Força da vida.

Querer é, por vezes, tão difícil.
Porque não há espaço pra existir no mundo do corriqueiro.

Há muito o que fazer, pensar, oferecer, e muito o que não é você.
Há muito o que você precisa cumprir, mas que não é seu.
Então você se perde.
E passa a existir como um avatar, um eu automatizado.

Querer e fazer do querer algo importante na vida,
torna possível existir.

Junto com o respeito ao querer do outro,
o próprio querer é a força mais divina que pode existir.
É o que nos torna especiais, em relações únicas e insubstituíveis.

Configurações exclusivas se formam quando um querer se alia a outro,
sem anular quereres quaisquer.
A convivência de quereres, que se auxiliam a existir,
fortalece a alma, o existir.
Fortalece o um, que fortalece o outro e foratelce a vida.

De pares e pernas.

Estive revendo mensagens antigas de amor e medo.
De início de amor e medo.
Dos inícios que desafiam com o novo.

Mas hoje, depois de quase dois anos...
vejo o quão mais desafiador é seguir junto.

Os começos são quase inofensivos porque não se tem vínculo.
Quando a gente vai embora, ou nos deixam, pouco se perde.

Depois... parece que se isso acontecer se vai um pedaço de vida, inteiro, com um pedaço de corpo junto.
Surge uma atrofia. Uma limitação. Uma perna que falta. Um olho que não enxerga direito.
Até a gente encontrar o aparelho certo, ou descobrir novas possibilidades de locomoção é bem difícil.

Penso nisso como mera elucubração teórica.
Não vejo isso como possibilidade de fato no meu momento presente.
Mas a mente me leva a pensar sobre isso, diante de tantos finais que já ocorreram.
Tantas experiências falidas, tantas partes do corpo amputadas.

Re-escrever aqui é recuperar um pouco de mim.
É conseguir andar com pernas minhas de novo.

Estar junto, por vezes, faz com que a gente não perca, mas misture as pernas.

Como é bom andar sozinho! Em par. Com quatro pernas em bom movimento.
Quatro pernas que andam juntas. Quatro pernas e não mais três ou duas!

segunda-feira, julho 04, 2011

Marinar.

Não tenho tido tempo de escrever.
Nem de ser eu mesma.

É muito o que fazer.
O que dever.
O que corresponder.

Gosto quando eu posso só deixar tudo fluir.
Torrentes quando há corrente, marasmo quando há preguiça.

Sabe ritmo de mim-mesmo?

Quando tudo parece não te invadir... nem te atropelar.

Mim-mesmo que é, sem razão pra julgar.

Marinar.

[.]

Essa história começa onde todas as outras terminam.

segunda-feira, março 28, 2011

A mulher velha e feia.

Hoje eu vi a mulher velha.
Me deu vontade de rir.
Mas ela não era engraçada.

A mulher não tinha dentes.
Tinha o rosto enrugado e os cabelos grisalhos de bombril seco, alto.
Vestia azul.

Eu ri de susto.
Da estranheza que a mulher velha provocava
em comparação às imagens de revista, de tv, de outdoor
- habituais em qualquer lugar que se olhe.

Mas depois me comovi com a sua figura.
Altiva ela caminhava.
Enfeitada de azul, de vestido.
Com passos fortes ela andava veloz e decidida pela rua.

A mulher velha e feia,
que parecia sofrida,
era orgulhosa de si mesma.
Cuidava e redefinia a si.

Me tomei em admiração
pela beleza da mulher velha e feia.

quarta-feira, março 16, 2011

Bens posicionais ecológicos!

Ando a pé e de transporte coletivo, não tenho carro e nem carteira de motorista!
Procuro produzir o mínimo de lixo que consigo e me sinto cada vez mais livre com isso!

Orgulho de ter votado nessa mulher!

sábado, janeiro 22, 2011

Des-culpa.

Plágio de mim.
Meu e teu.
Incompartilhado até quando existir.
Até quando um desistir.

Cansei de escrever poemas pra ti.

Cansei de escrever poemas pra ti.
Parece que sempre encontras outra pessoa nas palavras que te digo.

Falho quando me interpretas.
Não vês a mim.
Vês outra.
Alguém perdido.
Ausente.

Cansei de escrever poemas pra ti.
Eles soam pedaços de fetiches, fantasias, sistemas ilusórios.

Fracasso a cada ponto e nova linha.
Me jogas pra longe.
Preferes a outra.
Esqueces de mim.
Sozinha.

Do que posso.

Não gostem de mim pelo que não sou.
Sou o que posso e juro que me esforço por ser mais.
Mas o que consigo é ser uma vírgula melhor a cada dia.
Portanto não me peçam parágrafos inteiros e textos completos a cada anoitecer.

Poesia

Me nego à poesia do falsear a vida.
Me nego à poesia de meias palavras para meias verdades.
A poesia que me interessa é aquela que dá a devida intensidade -
para palavras e pensamentos escritos e sinceros.

Escrever um poema é colocar paixão para fora.
Tocar o outro com afeto.

Me toque com poesia e me farás feliz.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Mensagem de ano novo

Faço das palavras de Lauteamont a minha mensagem de ano bom pra vocês!
Que a poesia reine em nossas vidas!

beijos a todos e abraços enormes.

Ordinary life.

Dexter: Do you have a dream for your life? Your future? Yes?
Rita: Of course. Do you?
Dexter: It might sound weird. I want to someday be content. Just feel comfortable, like everyone else. I want...
Rita: ...a normal life?
Dexter: Yeah, a normal life.
Rita: That's all I want. Just that.
Dexter: No fame and fortune? Excitement at every turn?
Rita: No, I've had enough excitement, thank you. I'll take boring.
Dexter: Average.
Rita: Ordinary.
Dexter: That's weird, huh?
Rita: Yeah.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

L'Oreal face.

Essa é a dona da L'Oreal.
Aquela mulher que tem todos os cosméticos milagrosos de graça!
Daí, garotas, se constata o óbvio:
Bobagem gastar grana com creminhos!
Pra ficar assim é melhor seguir a natureza,
é mais econômico, ecológico e conveniente.

:)

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Do sabor do ócio.

Gosto dos dias vazios.
Do não fazer nada de importante para fazer o que realmente importa.

Livre para não me obrigar a nada!

Conversar só pra jogar conversa fora.
Sentir brotar do deixado ao acaso o que há de mais bonito na vida:
cumplicidade.

Cúmplices com o universo inteiro,
parte de tudo o que cerca,
existindo sem precisar e sem ter que.

Cabeças e corpos jogados ao léu,
ao vento que sopra os cabelos na janela,
ao mar que transborda no suor salgado.

Fazer nada e se preencher de vida!

A feiticeira e o (anti)nauta

Ah Jasão ingrato
vai-te pra bem longe.

Me lançaste ao pó,
ao árido, à poeira seca
da terra que não dá frutos.
Me empoeiraste, Jasão.
Me tornaste opaca.

Te dei meus beijos, meu sangue.
Meu suor recebeste com mel,
mas me deixaste a morrer de sede ao teu lado.

Ah Jasão, tu não cabes mais em mim.
Me banhei na tempestade,
me hidratei até me afogar.
A chuva inundou meus passos,
me fez líquida e luminosa.
A chuva me fez liquidar tua presença em mim.

Hoje sou feita do que não te pertence, Jasão.
Sou feita do que és incapaz de entender e tocar.

Na tua terra rachada minhas gotas não se derramam,
não tentam mais escorrer pelas tuas fendas escuras, tuas paredes duras.

Sempre foste inábil para viver a chuva,
beber a enchente,
lamber a umidade
que invadia tua casa inóspita.

Jasão de barro quebradiço e farelento!
Precisas de mais para virar terra fértil, lar acolhedor!

Agora eu sou pomar, Jasão!
Pomar molhado de orvalho e carregado de frutas.
Minhas árvores renasceram no temporal.
A água limpou tua névoa seca de areia ao vento.
Sou verdejante outra vez.

domingo, dezembro 05, 2010

Do que não me pertence.

Caindo.
No sonho estou caindo.
Sem parar.
Caio e ainda me empurram, para cair mais.

É uma sensação de agonia.
Mas que parece não ser minha.

Como é possível carregar a bagagem alheia, se a nossa já é tão grande?

Tive a sensação de me apagar, de acabar.
Não gosto disso.

Prefiro o lugar ensolarado.
A cama quente.
A vida que segue.

Estancar no meio do caminho, não me condiz.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Poema curto.

(Escrito no ônibus, caminho de casa.)

'As compras de Perséfone'

Perséfone foi às compras.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Impressão boa de São Paulo.

Tudo o que há, existe ali.
Demora pra chegar em qualquer canto da cidade, as pessoas vivem correndo, aglomerações por toda a parte...
Mas o que você quiser tem por lá!
Variedade, diversidade, possibilidades!

Isso é muito bom e sempre vale a visita!

Ainda mais quando a gente tem amigos queridos morando por lá!
:)

Impressões de São Paulo - II

Dias depois que voltei de São Paulo, mais precisamente um dia depois, eu tive um sonho:
- Eu voltava pro sítio onde morei por dez anos, quando era mais nova. Só que quando eu chegava lá... tudo estava cimentado. Muitas casas construídas, uma do lado da outra. Quase não se via o verde da grama e das árvores, o verde que eu tanto gostava. Não havia horizonte que não fosse cortado por paredes, telhados, garagens.

terça-feira, novembro 16, 2010

Impressões de São Paulo - parte 1

Visistei São Paulo durante uma semana.
E uma das impresões que tive foi relativa a semelhança entre o movimento das pessoas nas estações de metrô e a do gado nas breteiras (nome daquele corredor de cerca onde o gado fica confinado).

Reparem no vídeo: há um cercado onde as pessoas se colocam, ele afunila a aglomeração e direciona a "manada" para a entrada do vagão.



Fiquei pensando em como a situação chegou no ponto onde está, no que poderia ser feito diferente, mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão.

Nesse outro vídeo está o gado de quatro patas e cascos duros. Mas a semelhança entre este e as pessoas no metrô de SP não desaparece na minha cabeça.



Quem foi o fazendeiro que teve essa idéia de tratar as pessoas na estação como gado?

quinta-feira, outubro 21, 2010

Estatísticas de acesso à dissertação de mestrado

Fiquei sabendo, através do e-mail de Newton Silva (mestre em teatro pela UFRGS, como eu), que o site do lume/ufrgs apresentava estatísticas de acessos e downloads das dissertações lá disponíveis.
Fiquei curiosa e fui olhar...
A minha dissertação foi parar no Japão!! (Quem levou? Pra que vai usar? Será que gostou do que leu?)

Fiquei impressionada com o número de acessos e o alcance, em termos temáticos e geográficos, do meu trabalho!

Estou com muita vontade de colocar o pé no acelerador do blog de estética!

Aiai!
Cliquem no link e confiram quantas pessoas e quantos países estão me lendo!
hehehehe

:)

quinta-feira, outubro 14, 2010

quinta-feira, outubro 07, 2010

Recado pros amigos.

Ahhhh e pros amigos preocupados com os posts tristonhos e melancólicos... to legal gente! Feliz! Cansada de tanto trabalhar (por isso escrevendo pouco aqui), mas MUITO FELIZ!

Tenho pensado em colocar por aqui algum link ou mesmo trecho dos textos que tenho produzido, mas ainda não me adequei a essa vida de atualização virtual constante.

Talvez agora com a tarefa de atualizar o site do NEMES, núcleo no qual tenho desenvolvido atividades dentro da Bolsa de Apoio Técnico que o CNpq me concedeu, eu consiga criar uma rotina virtual adequada.

Meu blog de textos sobre estética ficou parado em algum lugar no tempo... fiz um post e esqueci.
Por isso ele nem é aberto ao público ainda!

Estou com saudades dos amigos e com vontade de comemorar meu aniversário no fim do ano mesmo! Super fora da data, mas quem é que precisa de data pra comemorar estar com as pessoas queridas???

Abraços e beijos festivos a todos!

C'est la vie.

C'est la vie - Emerson, Lake & Palmer

Ouvi essa música hoje pela manhã no caminho da faculdade pra casa.
Sempre achei podre de brega essa música... mas hoje, por algum motivo, gostei e achei muito bonita!

Segue pra compartilhar com vocês.
:)


terça-feira, outubro 05, 2010

Carta de amor

Em tempo de publicar aqui no blog uma criação bonita.
Ótimo vídeo com texto e voz de Gabriel Pardal e trilha sonora de Douglas Dickel.

Esses garotos são artistas pra qualquer meio de expressão! E viva a arte deles em qualquer parte!

"Amor também é a dor, o seu avesso e o seu sintoma mais latente."
Angela Francisca


terça-feira, agosto 24, 2010

Contrariando.

Só pra contrariar a minha última postagem,
na semana do meu aniversário (18/08) fez verão em Porto Alegre!
Roupas coloridas e curtas saindo do armário,
corpos brancos se esquentando ao calor do sol!

terça-feira, agosto 03, 2010

Ai ai.

Chegaram os dias tão frios, nem o sol esquenta...
Pés congelantes e pessoas-urso que queriam hibernar!

quinta-feira, julho 22, 2010

Kim Basinger e o ladrão.

Não ter chão é a pior sensação.
Não pertencer a lugar algum.
Não estar aqui nem lá.
Isso dói - com acento agudo.

Nas minhas peregrinações de amor,
acabei perdendo casa.

Perdi a terra que era minha porque não estava lá pra defender.

É estranho pensar que por estar ausente, tu comece a deixar de existir.
Porque essa é a sensação que tenho tido - de deixar de existir.

Mas não é um deixar de existir pra mim, mas deixar de ser pros outros.
Como se eles não reconhecessem mais os contorno do meu rosto,
porque mudou muito rápido e de repente eu posso ser a impostora que tomou o lugar da "Kim Basinger".

Não quero que me percam.
Quero continuar lá, mesmo que não sendo a mesma.
Quero sair e saber que posso voltar,
porque vão me reconhecer quando eu bater na porta do ladrão.

segunda-feira, julho 12, 2010

Por um lugar na terra.

Uma colega de trabalho no bar disse o seguinte na madrugada desse sábado:

- Relacionamentos são como viagens de avião - com aquele frio na barriga na decolagem... turbulências... mas quando a viagem acaba... a gente desce e, se quiser, simplesmente sobe em outro avião.

Me cansa pensar em viajar tantas vezes.
Acho que estou como um roqueiro que deseja se aposentar, porque não aguenta mais ficar indo de cidade em cidade. Alguém que quer ficar em casa. Que quer ver todo o dia a mesma paisagem familiar e todas as mudanças que nela ocorrerem com as estações e com o passar dos anos.

Me assusta a possibilidade de ficar sempre indo de um aeroporto pro outro.
De nunca ter chão pra pisar.

Quero uma casa, onde eu possa descansar a cabeça no travesseiro que tem o meu cheiro... e não daqueles amaciantes de lavanderia!
Quero poder colar adesivos nas paredes sem me preocupar se a parede deve permanecer branca, sem as cores da figurinha ou sem a mancha de cola quando ela cai.
Cansei de estar indo e voltando.
Quero parar e virar lugar.

Segunda: dia do Ócio.

Primeiro dia sem fazer nada.

Que falta o ócio me faz...

Hoje é um dia de chuva em Porto Alegre,
perfeito pra ficar em casa e se entregar ao fazer nada.

Eu sento na minha cama com o computador no colo;
Visito sites bobos de decoração;
Respondo testes no facebook;
E ouço o barulho sútil da chuva fraca que não cessa.

Preciso estudar pra um concurso.
Mas vou deixar pra amanhã.

Não tenho coragem de me negar o prazer de ficar ociosamente feliz.
Sou boa comigo mesma e me dedico esse momento de sublime meditação.
Dia vazio e repleto.

:)

segunda-feira, junho 21, 2010

Joseph Campbell:

"O homem não devia estar a serviço da sociedade, esta sim é que deveria estar a serviço do homem. Quando o homem está a serviço da sociedade, você tem um Estado monstruoso, e é exatamente isso o que ameaça o mundo, neste momento."

Das asas que preciso.

Estou andando de um lado pra outro.
Vai e vem.

E o chão se abriu no meio do caminho.

Meus pés não tocam terra, nem concreto, nem lodo... só ar...
O ar fica embaixo dos meus pés e eles não sentem mais o peso do corpo, nem sabem como andar.

Eu tinha um ponto. Um espaço traçado.
A borracha apagou.

Agora eu tenho um vazio.
Um vazio concreto de substância.

Aprender a ter asas é preciso, porque os pés já não servem muito pra andar.

sexta-feira, junho 18, 2010

Homo ludens.

E o sexo é brincadeira.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.


segunda-feira, junho 14, 2010

Chamada a cobrar.





Existem fios, como aqueles de centrais telefônicas antigas que as telefonistas conectavam e descoctavam ao início e fim de cada ligação.
Eu tenho muitos fios, mas não sou uma boa telefonista.
Às vezes pego um fio e ligo, faço ligações cruzadas que me dão mais informação do que pedi. E geralmente não sei o que fazer com isso.
Os fios se enrolam a as minhas mãos tentam desesperadamente completar a ligação antes que caia. Me enrolo mais. Enrolo mais. E as pessoas do outro lado do telefone ficam ouvindo uma musiquinha cansativa de caixinha de música - monocórdia.
E cadê o outro lado da linha?
Mas enfim, essa telefonista se espanta com o que escuta. Porque ao mexer com tantos fios conecta alguns que são pra ela mesma! A questão é que nem sempre identifica de quem vem a chamada e pra que é.
Muitos fios. Muitos.

quarta-feira, maio 19, 2010

Colorir-me.

Tenho percebido que ainda estou dentro de mim.
Que não consigo me deixar sair.
Que o medo prevalece e me torna insípda e incolor do lado de fora.

Não sei como se faz o movimento de colorir.
Mas acho que estou aprendendo.
Aprendendo a usar cores novas.

Colorir e borrar o traço... pra sair do contorno pré-moldado... pra ser forma própria... única e irreproduzível.

quarta-feira, maio 05, 2010

sexta-feira, abril 23, 2010

blup blup blup

Tarde chuvosa em Porto Alegre.
Semana chuvosa e quente, apesar da estação.
Semana que vem também será chuvosa, não lembro se quente.

Faz tempo que não escrevo nada por aqui.
Faz tempo que não consigo tempo pra mim.
Sempre tantas coisas.
Sempre há muito o que fazer.

E devagar vem uma sensação de morte...

Penso no navio.
Penso no mar.
Sem ondas, mas revolto nas profundezas.

Submarino.
Telescópio.

E eu que não sei nadar.

Nem no mar, nem na chuva.

No hay banda.



theatricalizing self

melodramatic tatics

face it, it is the self-theatricalizing, fictionalizing, performative line

self-theatricalizing roles are all distancing strategies to cover

blinded by their self-theatricalizing fantasies

a self-theatricalizing in which social life becomes a spectacle

the theatricalized self can be saved from its own potential for a terroristic mode of desire

quarta-feira, março 31, 2010

Mensagem recebida 30/03/2010 11:57

Remetente: Douglas Dickel

Sem tua voz viva entrando pelos meus ouvidos, quente pela saliva, não tem mais graça. Teu hálito sugado na minha língua. Teu sorriso que meu coração mastiga. Teu cheiro humano de flores suaves. (...) Mãos que hipnotizam, pés que me excitam. Amo cada característica tua, Angela Francisca. Te quero sempre e pra sempre. Bom dia, minha aurora.

Mensagem recebida 30/03/2010 11:57

p.s. como não amar?

sexta-feira, março 26, 2010

Medo de mim, de ti em mim.

E a paixão era ruim.
Pois tirava dela a vontade de ser livre.

Apaixonada, ela queria pertencer. Queria perder o direito de ser uma. Era dele, existia com ele e quereria o que com ele viesse.

Era assustador se ver de forma tão passiva, pacifica.
Tinha medo de isso amornar as aguas correntes dentro dela.
De amansar o animal selvagem e forte.

E se depois acabasse por se tornar um reflexo? E se perdesse o brilho proprio de quem pensa por si? E se depois se perdesse e morresse em si propria?

Essa vida em dupla aterrorizava...

No entanto, não conseguia desejar outra coisa.
O sentimento vinha mais forte do que qualquer razão disponivel.

Queria infinitamente o que mais temia.
E corria o risco.

De tanto amor.

Eu olhei nos olhos dele.
Senti o cheiro do homem que grudava na minha pele.
Deixei me molhar em suor, em gotas que repousaram na minha alma.
Desejei a eternidade em nosso caminho juntos.
Quis ter um filho.
Quis chorar.
Quis ser dele e nada mais.

sexta-feira, março 12, 2010

quinta-feira, março 04, 2010

aviso!

Angela Francisca
está apaixonada por
Douglas Dickel.

04/03/2010

terça-feira, março 02, 2010

Por mais e sempre.

Mais e mais forte e mais rápido e mais intenso.

Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.

Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.

Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.

Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.

Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.

:*

segunda-feira, março 01, 2010

Quem?

Sinto falta de estar sozinha.
De não ter nada pra fazer e ficar sentada, numa cadeira na sacada, olhando o vento nas arvores, por horas.
Saudade da sensação de ser minha.

Pois é que esse não é tempo de estar so,
é tempo do outro.
De ser e estar com ele.
Aquele que não conheço e que me enxerga e me diz outra.
Não me reconheço nas palavras dele.
Me reconheço nele e é isso o que me parece mais estranho.

:)

sábado, fevereiro 27, 2010

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Lado Vinícius que diz:

Encontro.

quantas vezes me enganei.
quantas vezes me equivoquei.

Tropeços, quedas, feridas, trapaças.

um sentimento guardado, louvado, zelado.
puro ar em um peito apertado que não consegue mais aguentar.

Corri até com os pés descalços.

mas você chegou até mim quando parei de te procurar.

domingo, fevereiro 21, 2010

Dos patins no gelo.

Eles não são medalha de ouro; não são exatamente sincrônicos, nem exatamente precisos; mas fazem as apresentações mais bonitas na minha opinião!

Gosto da leveza, do sentimento expresso, dos movimentos em conjunto, em sequência, em harmonia. Gosto da qualidade fluida, da parceria que constroem.
E isso tudo me parece muito mais importante e imponente, do que a qualidade objetiva das acrobacias sobre os patins!


quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Do meu, do teu e dos braços vazios.

Me espantei quando proferi a seguinte frase:
- "Eu ja te dou muita coisa, eu quero que tu me dê algo de teu também."

Me espantei porque... que direito eu tenho de querer que alguém me dê qualquer coisa??? Soou quase como uma troca, uma negociação, e não, não deve ser uma negociação!

Eu quero e quero muita coisa.
Mas se eu dou algo de meu é porque quero dar e pronto.
Quero que alguém guarde um pedaço meu. Quero que alguém me tenha um pouco. Me carregue consigo um pouco.

Mas se esse alguém não quiser me dar algo de seu... é seu direito!
E o meu querer não tem nada a ver com isso!

Meus braços permanecerão vazios apenas.

domingo, fevereiro 07, 2010

Alice - open the window!

Olho através da janela.
Quero ir pra fora.
Não saio, fico dentro.

Olho pela minha janela,
dentro da outra janela.
Perspectiva extremamente pessoal.

Pessoal intransferivel,
pelo que contém na minha janela,
dentro da outra janela.

Meu braço atravessa o vidro.
Se molha com a chuva.
Meu corpo respira do outro lado.
Espaço e tempo pra respirar.

Corpo de areia seca,
que se molha e vira barro.
Que se molha e vira chão.
Que se molha e fica são.

:)

Bana[n(i)i]lidades.

Por vezes, penso que sofro de banalidade crônica.
Por outras, me surpreeendo que o banal de uns é o estranhamento de outros.
E por vezes, ainda, me surpreeendo com a ausência de banalidade em mim mesma.

:)

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Rebobinando.

Resolvi rebobinar e voltar a um trecho que copiei da Martha Medeiros e coloquei num post antigo:

"Enquanto a paixão se esgota em si mesma e não está interessada no amanhã, o amor é ambicioso, se pretende eterno, e para pavimentar essa eternidade não mede esforços.(...) Amar é a transgressão maior. É quando rompemos com a nossa solidão para inaugurar uma vida compartilhada e inédita.(...) nada é mais revolucionário e poderoso do que o que a gente sente. Nada. Nem mesmo o que a gente pensa."
(Martha Medeiros)

Mas complemento que a revolução não se faz sozinho; é preciso sempre duas pessoas; duas que jamais serão uma; diferentes e individuais; mas que se acompanhem e se admirem.

:)

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Mais um momento Animal Planet. Fight.

The Fox vs. The Lynx

Dispersão de pensamentos.

* Lição da enfermeira de aves machucadas:
- Quando elas bicam... é porque esta na hora de libertar.

* A planta suculenta precisa criar espinhos.

* O que é nuvem com o vento se dissipa, se move, e depois de um tempo é como se nunca houvesse existido.

* Cortei o dedo, sangrou um pouco. Doeu. De hoje em diante... sem mais escoriações.

sábado, janeiro 30, 2010

Sobre mim.

Sou como os meus olhos:
verdes apenas para os olhares mais atentos.

:)