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quinta-feira, novembro 08, 2012

Do amor.

Amo nossa simplicidade.
Nossa descomplicação com o que há de mais complexo.
Amo todos os dias e em todos os subsequentes,
porque estamos juntos.
Amo nossa falta de competição e nossa torcida um pelo outro.
Amo amar o amor que és.
Amo-te.
Amo teu abraço macio e sereno.
E te receber no meu colo aberto e acolhedor.
Nossa troca de afeto eterna e cúmplice.
Amo.



sábado, junho 23, 2012

Sem título

Quando haverá tempo para se escrever poesia?

Quando a linha entortar
e surgir uma bolha de ar
na lista de compras para o jantar.

sábado, maio 05, 2012

A cada dia que passo.

Des-espero agudo irrompido no peito.
Des-amparo descasado estancado em sangue.
Des-caber em si.
Des-montar pedaços.

A cada dia que passa um a menos na garganta.
Uma voz mais fraca. Uma dor mais de graça.

Perguntas sem respostas.
Telefonemas sem interlocutor.
Um barulho mudo no outro lado.
Mendigando atenção.

A cada dia que passa mais vazio nesse cordão.
Um zunido no ouvido. Uma atrofia de tino.

domingo, abril 22, 2012

Casa[rio]


Ter casa
casar
criar família
de alegria

I[r]mã poesia.

Encontrar a solidão no outro
como em mim.
Numa palavra exata e imperfeita
perceber fagulhas de inexatidão.
Acompanhar um estar pleno
em um mundo de pequenos pedaços 
desencontrados.

Ouvir quase nada
que vem da boca de quem sequer
consegue existir.
Acompanhar pensamentos
de energia pulsante, vibrante
Ver o não visto e o escondido
em quem precisa existir.

Esquecer rostos falsificados.
Lembrar os desmistificados.

A cada palavra e abraço trocados
uma torrente de afetos.
Afetados corpos e espaço,
tempo e sentidos.
Palavras que olham e tocam,
mas seguem mudas e fantasmagóricas
para os pretensos e fingidos.

domingo, outubro 09, 2011

De ir embora.

Sair de casa é difícil pra quem sai e pra quem fica.

A dor do outro não é menor que a minha só porque não a sinto.
Nem preciso fazer o outro sangrar pra ter certeza de que sabe que sofro.

Sair de casa é ato de coragem.
Se desacomodar para tentar sair do lugar e conhecer o que é inexplorado do lado de dentro de paredes pintadas.

Sair do quarto cor-de-rosa. Do céu sempre azul.

É preciso provar da chuva pra saber seu sabor.

Como dizer que vivo se não comprovo a naturalidade dos meus atos?
Mantendo-me em ambiente salvo e controlado jamais saberei.

É preciso sair de casa. Mesmo com a dor.
E isso não é cruel. 

Sair pela porta afora é um movimento de sabedoria.
De carinho por si e pelos outros - de respeito pela vida incessante que pulsa em cada ser.

Como me julgar mal por executar algo tão nobre?
Porque me crucificar como um Cristo?
Como um Judas?
Como um Escariotes?

Sempre fui o mais sincera e leal aos meus.
Não abandonei ninguém.
Apenas gostaria que se pudesse seguir.

Se alguém se recusa a ir adiante, não posso evitar que eu o faça.

Nascer nos coloca em compromisso com o mundo, não apenas com o ventre.

Sou minha e do universo, sem ser de mais ninguém.
Escolho minhas companhias por liberdade.
Não por dependência.

Devo andar. 
E não me espere pro jantar.


segunda-feira, março 28, 2011

A mulher velha e feia.

Hoje eu vi a mulher velha.
Me deu vontade de rir.
Mas ela não era engraçada.

A mulher não tinha dentes.
Tinha o rosto enrugado e os cabelos grisalhos de bombril seco, alto.
Vestia azul.

Eu ri de susto.
Da estranheza que a mulher velha provocava
em comparação às imagens de revista, de tv, de outdoor
- habituais em qualquer lugar que se olhe.

Mas depois me comovi com a sua figura.
Altiva ela caminhava.
Enfeitada de azul, de vestido.
Com passos fortes ela andava veloz e decidida pela rua.

A mulher velha e feia,
que parecia sofrida,
era orgulhosa de si mesma.
Cuidava e redefinia a si.

Me tomei em admiração
pela beleza da mulher velha e feia.

sábado, janeiro 22, 2011

Des-culpa.

Plágio de mim.
Meu e teu.
Incompartilhado até quando existir.
Até quando um desistir.

Cansei de escrever poemas pra ti.

Cansei de escrever poemas pra ti.
Parece que sempre encontras outra pessoa nas palavras que te digo.

Falho quando me interpretas.
Não vês a mim.
Vês outra.
Alguém perdido.
Ausente.

Cansei de escrever poemas pra ti.
Eles soam pedaços de fetiches, fantasias, sistemas ilusórios.

Fracasso a cada ponto e nova linha.
Me jogas pra longe.
Preferes a outra.
Esqueces de mim.
Sozinha.

Do que posso.

Não gostem de mim pelo que não sou.
Sou o que posso e juro que me esforço por ser mais.
Mas o que consigo é ser uma vírgula melhor a cada dia.
Portanto não me peçam parágrafos inteiros e textos completos a cada anoitecer.

Poesia

Me nego à poesia do falsear a vida.
Me nego à poesia de meias palavras para meias verdades.
A poesia que me interessa é aquela que dá a devida intensidade -
para palavras e pensamentos escritos e sinceros.

Escrever um poema é colocar paixão para fora.
Tocar o outro com afeto.

Me toque com poesia e me farás feliz.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Do sabor do ócio.

Gosto dos dias vazios.
Do não fazer nada de importante para fazer o que realmente importa.

Livre para não me obrigar a nada!

Conversar só pra jogar conversa fora.
Sentir brotar do deixado ao acaso o que há de mais bonito na vida:
cumplicidade.

Cúmplices com o universo inteiro,
parte de tudo o que cerca,
existindo sem precisar e sem ter que.

Cabeças e corpos jogados ao léu,
ao vento que sopra os cabelos na janela,
ao mar que transborda no suor salgado.

Fazer nada e se preencher de vida!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Poema curto.

(Escrito no ônibus, caminho de casa.)

'As compras de Perséfone'

Perséfone foi às compras.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.

terça-feira, outubro 05, 2010

Carta de amor

Em tempo de publicar aqui no blog uma criação bonita.
Ótimo vídeo com texto e voz de Gabriel Pardal e trilha sonora de Douglas Dickel.

Esses garotos são artistas pra qualquer meio de expressão! E viva a arte deles em qualquer parte!

"Amor também é a dor, o seu avesso e o seu sintoma mais latente."
Angela Francisca


sexta-feira, junho 18, 2010

Homo ludens.

E o sexo é brincadeira.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.


segunda-feira, junho 14, 2010

Chamada a cobrar.





Existem fios, como aqueles de centrais telefônicas antigas que as telefonistas conectavam e descoctavam ao início e fim de cada ligação.
Eu tenho muitos fios, mas não sou uma boa telefonista.
Às vezes pego um fio e ligo, faço ligações cruzadas que me dão mais informação do que pedi. E geralmente não sei o que fazer com isso.
Os fios se enrolam a as minhas mãos tentam desesperadamente completar a ligação antes que caia. Me enrolo mais. Enrolo mais. E as pessoas do outro lado do telefone ficam ouvindo uma musiquinha cansativa de caixinha de música - monocórdia.
E cadê o outro lado da linha?
Mas enfim, essa telefonista se espanta com o que escuta. Porque ao mexer com tantos fios conecta alguns que são pra ela mesma! A questão é que nem sempre identifica de quem vem a chamada e pra que é.
Muitos fios. Muitos.

sexta-feira, abril 23, 2010

No hay banda.



theatricalizing self

melodramatic tatics

face it, it is the self-theatricalizing, fictionalizing, performative line

self-theatricalizing roles are all distancing strategies to cover

blinded by their self-theatricalizing fantasies

a self-theatricalizing in which social life becomes a spectacle

the theatricalized self can be saved from its own potential for a terroristic mode of desire

sexta-feira, março 26, 2010

Medo de mim, de ti em mim.

E a paixão era ruim.
Pois tirava dela a vontade de ser livre.

Apaixonada, ela queria pertencer. Queria perder o direito de ser uma. Era dele, existia com ele e quereria o que com ele viesse.

Era assustador se ver de forma tão passiva, pacifica.
Tinha medo de isso amornar as aguas correntes dentro dela.
De amansar o animal selvagem e forte.

E se depois acabasse por se tornar um reflexo? E se perdesse o brilho proprio de quem pensa por si? E se depois se perdesse e morresse em si propria?

Essa vida em dupla aterrorizava...

No entanto, não conseguia desejar outra coisa.
O sentimento vinha mais forte do que qualquer razão disponivel.

Queria infinitamente o que mais temia.
E corria o risco.

De tanto amor.

Eu olhei nos olhos dele.
Senti o cheiro do homem que grudava na minha pele.
Deixei me molhar em suor, em gotas que repousaram na minha alma.
Desejei a eternidade em nosso caminho juntos.
Quis ter um filho.
Quis chorar.
Quis ser dele e nada mais.

terça-feira, março 02, 2010

Por mais e sempre.

Mais e mais forte e mais rápido e mais intenso.

Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.

Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.

Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.

Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.

Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.

:*