Des-espero agudo irrompido no peito.
Des-amparo descasado estancado em sangue.
Des-caber em si.
Des-montar pedaços.
A cada dia que passa um a menos na garganta.
Uma voz mais fraca. Uma dor mais de graça.
Perguntas sem respostas.
Telefonemas sem interlocutor.
Um barulho mudo no outro lado.
Mendigando atenção.
A cada dia que passa mais vazio nesse cordão.
Um zunido no ouvido. Uma atrofia de tino.
Escritos pessoais, poéticos, imaginários. Reunião, comemoração - de lembranças e momentos vividos ou desejados. Espaço de estar. De compartilhar.
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sábado, maio 05, 2012
quinta-feira, novembro 03, 2011
Tiranias.
Abraçar um coletivo de eu's.
Missão impossível.
Eu's não se tornam um coletivo, apenas um agrupamento momentâneo por vontades convergentes.
Muita gente confunde as coisas.
Trabalhar coletivamente não é simplesmente fazermos todos juntos alguma coisa.
É preciso que essa coisa seja resultado de um arranjo entre as vontades, de uma flexibilização entre tudo o que é possível.
Não apenas a força de um amior número.
A democracia não garante uma experiência coletiva de fato.
Apenas a tirania de muitos.
Missão impossível.
Eu's não se tornam um coletivo, apenas um agrupamento momentâneo por vontades convergentes.
Muita gente confunde as coisas.
Trabalhar coletivamente não é simplesmente fazermos todos juntos alguma coisa.
É preciso que essa coisa seja resultado de um arranjo entre as vontades, de uma flexibilização entre tudo o que é possível.
Não apenas a força de um amior número.
A democracia não garante uma experiência coletiva de fato.
Apenas a tirania de muitos.
domingo, outubro 09, 2011
De ir embora.
Sair de casa é difícil pra quem sai e pra quem fica.
A dor do outro não é menor que a minha só porque não a sinto.
Nem preciso fazer o outro sangrar pra ter certeza de que sabe que sofro.
Sair de casa é ato de coragem.
Se desacomodar para tentar sair do lugar e conhecer o que é inexplorado do lado de dentro de paredes pintadas.
Sair do quarto cor-de-rosa. Do céu sempre azul.
É preciso provar da chuva pra saber seu sabor.
Como dizer que vivo se não comprovo a naturalidade dos meus atos?
Mantendo-me em ambiente salvo e controlado jamais saberei.
É preciso sair de casa. Mesmo com a dor.
E isso não é cruel.
Sair pela porta afora é um movimento de sabedoria.
De carinho por si e pelos outros - de respeito pela vida incessante que pulsa em cada ser.
Como me julgar mal por executar algo tão nobre?
Porque me crucificar como um Cristo?
Como um Judas?
Como um Escariotes?
Sempre fui o mais sincera e leal aos meus.
Não abandonei ninguém.
Apenas gostaria que se pudesse seguir.
Se alguém se recusa a ir adiante, não posso evitar que eu o faça.
Nascer nos coloca em compromisso com o mundo, não apenas com o ventre.
Sou minha e do universo, sem ser de mais ninguém.
Escolho minhas companhias por liberdade.
Não por dependência.
Devo andar.
E não me espere pro jantar.
domingo, agosto 07, 2011
Força da vida.
Querer é, por vezes, tão difícil.
Porque não há espaço pra existir no mundo do corriqueiro.
Há muito o que fazer, pensar, oferecer, e muito o que não é você.
Há muito o que você precisa cumprir, mas que não é seu.
Então você se perde.
E passa a existir como um avatar, um eu automatizado.
Querer e fazer do querer algo importante na vida,
torna possível existir.
Junto com o respeito ao querer do outro,
o próprio querer é a força mais divina que pode existir.
É o que nos torna especiais, em relações únicas e insubstituíveis.
Configurações exclusivas se formam quando um querer se alia a outro,
sem anular quereres quaisquer.
A convivência de quereres, que se auxiliam a existir,
fortalece a alma, o existir.
Fortalece o um, que fortalece o outro e foratelce a vida.
Porque não há espaço pra existir no mundo do corriqueiro.
Há muito o que fazer, pensar, oferecer, e muito o que não é você.
Há muito o que você precisa cumprir, mas que não é seu.
Então você se perde.
E passa a existir como um avatar, um eu automatizado.
Querer e fazer do querer algo importante na vida,
torna possível existir.
Junto com o respeito ao querer do outro,
o próprio querer é a força mais divina que pode existir.
É o que nos torna especiais, em relações únicas e insubstituíveis.
Configurações exclusivas se formam quando um querer se alia a outro,
sem anular quereres quaisquer.
A convivência de quereres, que se auxiliam a existir,
fortalece a alma, o existir.
Fortalece o um, que fortalece o outro e foratelce a vida.
De pares e pernas.
Estive revendo mensagens antigas de amor e medo.
De início de amor e medo.
Dos inícios que desafiam com o novo.
Mas hoje, depois de quase dois anos...
vejo o quão mais desafiador é seguir junto.
Os começos são quase inofensivos porque não se tem vínculo.
Quando a gente vai embora, ou nos deixam, pouco se perde.
Depois... parece que se isso acontecer se vai um pedaço de vida, inteiro, com um pedaço de corpo junto.
Surge uma atrofia. Uma limitação. Uma perna que falta. Um olho que não enxerga direito.
Até a gente encontrar o aparelho certo, ou descobrir novas possibilidades de locomoção é bem difícil.
Penso nisso como mera elucubração teórica.
Não vejo isso como possibilidade de fato no meu momento presente.
Mas a mente me leva a pensar sobre isso, diante de tantos finais que já ocorreram.
Tantas experiências falidas, tantas partes do corpo amputadas.
Re-escrever aqui é recuperar um pouco de mim.
É conseguir andar com pernas minhas de novo.
Estar junto, por vezes, faz com que a gente não perca, mas misture as pernas.
Como é bom andar sozinho! Em par. Com quatro pernas em bom movimento.
Quatro pernas que andam juntas. Quatro pernas e não mais três ou duas!
De início de amor e medo.
Dos inícios que desafiam com o novo.
Mas hoje, depois de quase dois anos...
vejo o quão mais desafiador é seguir junto.
Os começos são quase inofensivos porque não se tem vínculo.
Quando a gente vai embora, ou nos deixam, pouco se perde.
Depois... parece que se isso acontecer se vai um pedaço de vida, inteiro, com um pedaço de corpo junto.
Surge uma atrofia. Uma limitação. Uma perna que falta. Um olho que não enxerga direito.
Até a gente encontrar o aparelho certo, ou descobrir novas possibilidades de locomoção é bem difícil.
Penso nisso como mera elucubração teórica.
Não vejo isso como possibilidade de fato no meu momento presente.
Mas a mente me leva a pensar sobre isso, diante de tantos finais que já ocorreram.
Tantas experiências falidas, tantas partes do corpo amputadas.
Re-escrever aqui é recuperar um pouco de mim.
É conseguir andar com pernas minhas de novo.
Estar junto, por vezes, faz com que a gente não perca, mas misture as pernas.
Como é bom andar sozinho! Em par. Com quatro pernas em bom movimento.
Quatro pernas que andam juntas. Quatro pernas e não mais três ou duas!
quinta-feira, outubro 07, 2010
Recado pros amigos.
Ahhhh e pros amigos preocupados com os posts tristonhos e melancólicos... to legal gente! Feliz! Cansada de tanto trabalhar (por isso escrevendo pouco aqui), mas MUITO FELIZ!
Tenho pensado em colocar por aqui algum link ou mesmo trecho dos textos que tenho produzido, mas ainda não me adequei a essa vida de atualização virtual constante.
Talvez agora com a tarefa de atualizar o site do NEMES, núcleo no qual tenho desenvolvido atividades dentro da Bolsa de Apoio Técnico que o CNpq me concedeu, eu consiga criar uma rotina virtual adequada.
Meu blog de textos sobre estética ficou parado em algum lugar no tempo... fiz um post e esqueci.
Por isso ele nem é aberto ao público ainda!
Estou com saudades dos amigos e com vontade de comemorar meu aniversário no fim do ano mesmo! Super fora da data, mas quem é que precisa de data pra comemorar estar com as pessoas queridas???
Abraços e beijos festivos a todos!
Tenho pensado em colocar por aqui algum link ou mesmo trecho dos textos que tenho produzido, mas ainda não me adequei a essa vida de atualização virtual constante.
Talvez agora com a tarefa de atualizar o site do NEMES, núcleo no qual tenho desenvolvido atividades dentro da Bolsa de Apoio Técnico que o CNpq me concedeu, eu consiga criar uma rotina virtual adequada.
Meu blog de textos sobre estética ficou parado em algum lugar no tempo... fiz um post e esqueci.
Por isso ele nem é aberto ao público ainda!
Estou com saudades dos amigos e com vontade de comemorar meu aniversário no fim do ano mesmo! Super fora da data, mas quem é que precisa de data pra comemorar estar com as pessoas queridas???
Abraços e beijos festivos a todos!
terça-feira, agosto 24, 2010
Contrariando.
Só pra contrariar a minha última postagem,
na semana do meu aniversário (18/08) fez verão em Porto Alegre!
Roupas coloridas e curtas saindo do armário,
corpos brancos se esquentando ao calor do sol!
na semana do meu aniversário (18/08) fez verão em Porto Alegre!
Roupas coloridas e curtas saindo do armário,
corpos brancos se esquentando ao calor do sol!
quinta-feira, julho 22, 2010
Kim Basinger e o ladrão.
Não ter chão é a pior sensação.
Não pertencer a lugar algum.
Não estar aqui nem lá.
Isso dói - com acento agudo.
Nas minhas peregrinações de amor,
acabei perdendo casa.
Perdi a terra que era minha porque não estava lá pra defender.
É estranho pensar que por estar ausente, tu comece a deixar de existir.
Porque essa é a sensação que tenho tido - de deixar de existir.
Mas não é um deixar de existir pra mim, mas deixar de ser pros outros.
Como se eles não reconhecessem mais os contorno do meu rosto,
porque mudou muito rápido e de repente eu posso ser a impostora que tomou o lugar da "Kim Basinger".
Não quero que me percam.
Quero continuar lá, mesmo que não sendo a mesma.
Quero sair e saber que posso voltar,
porque vão me reconhecer quando eu bater na porta do ladrão.
Não pertencer a lugar algum.
Não estar aqui nem lá.
Isso dói - com acento agudo.
Nas minhas peregrinações de amor,
acabei perdendo casa.
Perdi a terra que era minha porque não estava lá pra defender.
É estranho pensar que por estar ausente, tu comece a deixar de existir.
Porque essa é a sensação que tenho tido - de deixar de existir.
Mas não é um deixar de existir pra mim, mas deixar de ser pros outros.
Como se eles não reconhecessem mais os contorno do meu rosto,
porque mudou muito rápido e de repente eu posso ser a impostora que tomou o lugar da "Kim Basinger".
Não quero que me percam.
Quero continuar lá, mesmo que não sendo a mesma.
Quero sair e saber que posso voltar,
porque vão me reconhecer quando eu bater na porta do ladrão.
segunda-feira, julho 12, 2010
Por um lugar na terra.
Uma colega de trabalho no bar disse o seguinte na madrugada desse sábado:
- Relacionamentos são como viagens de avião - com aquele frio na barriga na decolagem... turbulências... mas quando a viagem acaba... a gente desce e, se quiser, simplesmente sobe em outro avião.
Me cansa pensar em viajar tantas vezes.
Acho que estou como um roqueiro que deseja se aposentar, porque não aguenta mais ficar indo de cidade em cidade. Alguém que quer ficar em casa. Que quer ver todo o dia a mesma paisagem familiar e todas as mudanças que nela ocorrerem com as estações e com o passar dos anos.
Me assusta a possibilidade de ficar sempre indo de um aeroporto pro outro.
De nunca ter chão pra pisar.
Quero uma casa, onde eu possa descansar a cabeça no travesseiro que tem o meu cheiro... e não daqueles amaciantes de lavanderia!
Quero poder colar adesivos nas paredes sem me preocupar se a parede deve permanecer branca, sem as cores da figurinha ou sem a mancha de cola quando ela cai.
Cansei de estar indo e voltando.
Quero parar e virar lugar.
- Relacionamentos são como viagens de avião - com aquele frio na barriga na decolagem... turbulências... mas quando a viagem acaba... a gente desce e, se quiser, simplesmente sobe em outro avião.
Me cansa pensar em viajar tantas vezes.
Acho que estou como um roqueiro que deseja se aposentar, porque não aguenta mais ficar indo de cidade em cidade. Alguém que quer ficar em casa. Que quer ver todo o dia a mesma paisagem familiar e todas as mudanças que nela ocorrerem com as estações e com o passar dos anos.
Me assusta a possibilidade de ficar sempre indo de um aeroporto pro outro.
De nunca ter chão pra pisar.
Quero uma casa, onde eu possa descansar a cabeça no travesseiro que tem o meu cheiro... e não daqueles amaciantes de lavanderia!
Quero poder colar adesivos nas paredes sem me preocupar se a parede deve permanecer branca, sem as cores da figurinha ou sem a mancha de cola quando ela cai.
Cansei de estar indo e voltando.
Quero parar e virar lugar.
Segunda: dia do Ócio.
Primeiro dia sem fazer nada.
Que falta o ócio me faz...
Hoje é um dia de chuva em Porto Alegre,
perfeito pra ficar em casa e se entregar ao fazer nada.
Eu sento na minha cama com o computador no colo;
Visito sites bobos de decoração;
Respondo testes no facebook;
E ouço o barulho sútil da chuva fraca que não cessa.
Preciso estudar pra um concurso.
Mas vou deixar pra amanhã.
Não tenho coragem de me negar o prazer de ficar ociosamente feliz.
Sou boa comigo mesma e me dedico esse momento de sublime meditação.
Dia vazio e repleto.
:)
Que falta o ócio me faz...
Hoje é um dia de chuva em Porto Alegre,
perfeito pra ficar em casa e se entregar ao fazer nada.
Eu sento na minha cama com o computador no colo;
Visito sites bobos de decoração;
Respondo testes no facebook;
E ouço o barulho sútil da chuva fraca que não cessa.
Preciso estudar pra um concurso.
Mas vou deixar pra amanhã.
Não tenho coragem de me negar o prazer de ficar ociosamente feliz.
Sou boa comigo mesma e me dedico esse momento de sublime meditação.
Dia vazio e repleto.
:)
segunda-feira, junho 14, 2010
Chamada a cobrar.
Existem fios, como aqueles de centrais telefônicas antigas que as telefonistas conectavam e descoctavam ao início e fim de cada ligação.
Eu tenho muitos fios, mas não sou uma boa telefonista.
Às vezes pego um fio e ligo, faço ligações cruzadas que me dão mais informação do que pedi. E geralmente não sei o que fazer com isso.
Os fios se enrolam a as minhas mãos tentam desesperadamente completar a ligação antes que caia. Me enrolo mais. Enrolo mais. E as pessoas do outro lado do telefone ficam ouvindo uma musiquinha cansativa de caixinha de música - monocórdia.
E cadê o outro lado da linha?
Mas enfim, essa telefonista se espanta com o que escuta. Porque ao mexer com tantos fios conecta alguns que são pra ela mesma! A questão é que nem sempre identifica de quem vem a chamada e pra que é.
Muitos fios. Muitos.
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