quinta-feira, julho 22, 2010

Kim Basinger e o ladrão.

Não ter chão é a pior sensação.
Não pertencer a lugar algum.
Não estar aqui nem lá.
Isso dói - com acento agudo.

Nas minhas peregrinações de amor,
acabei perdendo casa.

Perdi a terra que era minha porque não estava lá pra defender.

É estranho pensar que por estar ausente, tu comece a deixar de existir.
Porque essa é a sensação que tenho tido - de deixar de existir.

Mas não é um deixar de existir pra mim, mas deixar de ser pros outros.
Como se eles não reconhecessem mais os contorno do meu rosto,
porque mudou muito rápido e de repente eu posso ser a impostora que tomou o lugar da "Kim Basinger".

Não quero que me percam.
Quero continuar lá, mesmo que não sendo a mesma.
Quero sair e saber que posso voltar,
porque vão me reconhecer quando eu bater na porta do ladrão.

segunda-feira, julho 12, 2010

Por um lugar na terra.

Uma colega de trabalho no bar disse o seguinte na madrugada desse sábado:

- Relacionamentos são como viagens de avião - com aquele frio na barriga na decolagem... turbulências... mas quando a viagem acaba... a gente desce e, se quiser, simplesmente sobe em outro avião.

Me cansa pensar em viajar tantas vezes.
Acho que estou como um roqueiro que deseja se aposentar, porque não aguenta mais ficar indo de cidade em cidade. Alguém que quer ficar em casa. Que quer ver todo o dia a mesma paisagem familiar e todas as mudanças que nela ocorrerem com as estações e com o passar dos anos.

Me assusta a possibilidade de ficar sempre indo de um aeroporto pro outro.
De nunca ter chão pra pisar.

Quero uma casa, onde eu possa descansar a cabeça no travesseiro que tem o meu cheiro... e não daqueles amaciantes de lavanderia!
Quero poder colar adesivos nas paredes sem me preocupar se a parede deve permanecer branca, sem as cores da figurinha ou sem a mancha de cola quando ela cai.
Cansei de estar indo e voltando.
Quero parar e virar lugar.

Segunda: dia do Ócio.

Primeiro dia sem fazer nada.

Que falta o ócio me faz...

Hoje é um dia de chuva em Porto Alegre,
perfeito pra ficar em casa e se entregar ao fazer nada.

Eu sento na minha cama com o computador no colo;
Visito sites bobos de decoração;
Respondo testes no facebook;
E ouço o barulho sútil da chuva fraca que não cessa.

Preciso estudar pra um concurso.
Mas vou deixar pra amanhã.

Não tenho coragem de me negar o prazer de ficar ociosamente feliz.
Sou boa comigo mesma e me dedico esse momento de sublime meditação.
Dia vazio e repleto.

:)

segunda-feira, junho 21, 2010

Joseph Campbell:

"O homem não devia estar a serviço da sociedade, esta sim é que deveria estar a serviço do homem. Quando o homem está a serviço da sociedade, você tem um Estado monstruoso, e é exatamente isso o que ameaça o mundo, neste momento."

Das asas que preciso.

Estou andando de um lado pra outro.
Vai e vem.

E o chão se abriu no meio do caminho.

Meus pés não tocam terra, nem concreto, nem lodo... só ar...
O ar fica embaixo dos meus pés e eles não sentem mais o peso do corpo, nem sabem como andar.

Eu tinha um ponto. Um espaço traçado.
A borracha apagou.

Agora eu tenho um vazio.
Um vazio concreto de substância.

Aprender a ter asas é preciso, porque os pés já não servem muito pra andar.

sexta-feira, junho 18, 2010

Homo ludens.

E o sexo é brincadeira.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.


segunda-feira, junho 14, 2010

Chamada a cobrar.





Existem fios, como aqueles de centrais telefônicas antigas que as telefonistas conectavam e descoctavam ao início e fim de cada ligação.
Eu tenho muitos fios, mas não sou uma boa telefonista.
Às vezes pego um fio e ligo, faço ligações cruzadas que me dão mais informação do que pedi. E geralmente não sei o que fazer com isso.
Os fios se enrolam a as minhas mãos tentam desesperadamente completar a ligação antes que caia. Me enrolo mais. Enrolo mais. E as pessoas do outro lado do telefone ficam ouvindo uma musiquinha cansativa de caixinha de música - monocórdia.
E cadê o outro lado da linha?
Mas enfim, essa telefonista se espanta com o que escuta. Porque ao mexer com tantos fios conecta alguns que são pra ela mesma! A questão é que nem sempre identifica de quem vem a chamada e pra que é.
Muitos fios. Muitos.

quarta-feira, maio 19, 2010

Colorir-me.

Tenho percebido que ainda estou dentro de mim.
Que não consigo me deixar sair.
Que o medo prevalece e me torna insípda e incolor do lado de fora.

Não sei como se faz o movimento de colorir.
Mas acho que estou aprendendo.
Aprendendo a usar cores novas.

Colorir e borrar o traço... pra sair do contorno pré-moldado... pra ser forma própria... única e irreproduzível.

quarta-feira, maio 05, 2010

sexta-feira, abril 23, 2010

blup blup blup

Tarde chuvosa em Porto Alegre.
Semana chuvosa e quente, apesar da estação.
Semana que vem também será chuvosa, não lembro se quente.

Faz tempo que não escrevo nada por aqui.
Faz tempo que não consigo tempo pra mim.
Sempre tantas coisas.
Sempre há muito o que fazer.

E devagar vem uma sensação de morte...

Penso no navio.
Penso no mar.
Sem ondas, mas revolto nas profundezas.

Submarino.
Telescópio.

E eu que não sei nadar.

Nem no mar, nem na chuva.

No hay banda.



theatricalizing self

melodramatic tatics

face it, it is the self-theatricalizing, fictionalizing, performative line

self-theatricalizing roles are all distancing strategies to cover

blinded by their self-theatricalizing fantasies

a self-theatricalizing in which social life becomes a spectacle

the theatricalized self can be saved from its own potential for a terroristic mode of desire

quarta-feira, março 31, 2010

Mensagem recebida 30/03/2010 11:57

Remetente: Douglas Dickel

Sem tua voz viva entrando pelos meus ouvidos, quente pela saliva, não tem mais graça. Teu hálito sugado na minha língua. Teu sorriso que meu coração mastiga. Teu cheiro humano de flores suaves. (...) Mãos que hipnotizam, pés que me excitam. Amo cada característica tua, Angela Francisca. Te quero sempre e pra sempre. Bom dia, minha aurora.

Mensagem recebida 30/03/2010 11:57

p.s. como não amar?

sexta-feira, março 26, 2010

Medo de mim, de ti em mim.

E a paixão era ruim.
Pois tirava dela a vontade de ser livre.

Apaixonada, ela queria pertencer. Queria perder o direito de ser uma. Era dele, existia com ele e quereria o que com ele viesse.

Era assustador se ver de forma tão passiva, pacifica.
Tinha medo de isso amornar as aguas correntes dentro dela.
De amansar o animal selvagem e forte.

E se depois acabasse por se tornar um reflexo? E se perdesse o brilho proprio de quem pensa por si? E se depois se perdesse e morresse em si propria?

Essa vida em dupla aterrorizava...

No entanto, não conseguia desejar outra coisa.
O sentimento vinha mais forte do que qualquer razão disponivel.

Queria infinitamente o que mais temia.
E corria o risco.

De tanto amor.

Eu olhei nos olhos dele.
Senti o cheiro do homem que grudava na minha pele.
Deixei me molhar em suor, em gotas que repousaram na minha alma.
Desejei a eternidade em nosso caminho juntos.
Quis ter um filho.
Quis chorar.
Quis ser dele e nada mais.

sexta-feira, março 12, 2010

quinta-feira, março 04, 2010

aviso!

Angela Francisca
está apaixonada por
Douglas Dickel.

04/03/2010

terça-feira, março 02, 2010

Por mais e sempre.

Mais e mais forte e mais rápido e mais intenso.

Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.

Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.

Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.

Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.

Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.

:*

segunda-feira, março 01, 2010

Quem?

Sinto falta de estar sozinha.
De não ter nada pra fazer e ficar sentada, numa cadeira na sacada, olhando o vento nas arvores, por horas.
Saudade da sensação de ser minha.

Pois é que esse não é tempo de estar so,
é tempo do outro.
De ser e estar com ele.
Aquele que não conheço e que me enxerga e me diz outra.
Não me reconheço nas palavras dele.
Me reconheço nele e é isso o que me parece mais estranho.

:)